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domingo, 29 de dezembro de 2013

Reunião Aberta do Executivo da Junta de Vila Seca e Bem da Fé de 27 de Dezembro de 2013

Após a minha intervenção na Assembleia de Freguesia de 21 de Dezembro de 2013, o Sr Tesoureiro do Executivo da Junta da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé convidou-me a estar presente nas reuniões do Executivo abertas ao público que se realizam na última sexta-feira do mês pelas 20h00.

Estive então presente na reunião que se realizou na passada sexta-feira, tendo recebido as informações seguintes:

Em relação às questões relativas à prevenção e combate à incêndios, a Junta indicou que devido ao novo enquadramento legal entre as Juntas de Freguesia e a Proteção Civil, já estão a ser desenvolvidos contactos com diversas entidades com vista a resolução dessa situações.

Relativamente ao ponto que focava o abate de pinheiros secos, a Junta indicou que é complicado intervir junto de particulares para que os mesmos procedam ao abate das árvores ou permitam que outros o façam.

Em relação à ETAR de Vila Seca e Bruscos, o Executivo tem a informação de que a resolução do problema associado à mesma passará, possivelmente e provavelmente, pela instalação de um sistema de filtragem das águas provenientes do Lar, que já serão decantadas pelo próprio Lar, e emanilhamento ou aplicação de tubagem desde a saída das águas da ETAR até um ponto incerto, posterior às terras de cultivo.

Em relação ao uso dos caminhos rurais por máquinas industriais de madeireiros, o Executivo informou que após contactar com outras Juntas do Concelho verificou que não existe qualquer informação sobre se é ou não possível legislar o uso dos caminhos, ao que eu lhes indiquei que deveriam solicitar ao Joaquim Donário a melhor forma a contactarem com a Junta que já o fez.

Quanto à melhoria dos serviços de transporte escolar, o Executivo indicou que se trata de uma questão da responsabilidade da Câmara Municipal de Condeixa, mas que irá tentar sensibilizar a CMC nesse sentido.

Quanto à pavimentação das ruas da Mata, Beiçudo e Ribaldo, a mesma já se encontra em curso por parte da CMC.

Em relação ao saneamento para Traveira, Mata, Beiçudo e Ribaldo não existe previsão para o mesmo.

As obras de reparação e manutenção do caminho de Bruscos a Traveira [Freixo - Ponte Pau (via Celão)] estão pendentes de análise, financiamento e execução, não havendo ainda a certeza de que as mesmas possam ser realizadas em 2014.

Quanto ao caminho da Vinha de Igreja em Bruscos, o Executivo irá verificar as condições do mesmo e agir em conformidade.

Relativamente à placa toponímica da Rua Nova em Bruscos, o Executivo informou que tem conhecimento de mais algumas placas danificadas por toda a União de Freguesias e irá avançar para a mudança das mesmas.

Continuarei a fazer o acompanhamento das situações que apresentei e levarei à Junta e à Assembleia todas as novas que venham surgindo e que tome conhecimento!

Existem algumas situações que a Junta tem em curso, mas que se encontram pendentes de protocolos ou parcerias com outras entidades, que de momento não irei ainda apresentar, pois a própria Junta ainda não tem a certeza de que as mesmas poderão vir a bom porto ou não, mas assim que existam certezas também as irei publicar.

Cumprimentos Democráticos a tod@s!

Tiago Acúrcio

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Intervenção na Assembleia de Freguesia Ordinária de 21 de Dezembro de 2013

Sr. Presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé, Srs. Eleitos para a Assembleia de Freguesia, Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Srs. Membros do Executivo.

Como será do conhecimento de alguns dos presentes, eu, Tiago Avelino Mendes Acúrcio, residente em Bruscos, criei na rede social Facebook o grupo “Vila Seca e Bem da Fé – Democracia Participativa”, um grupo onde a população interessada pode colocar situações a debate e para apresentação nesta Assembleia.

Trata-se de um grupo aberto a todos os que sejam, vivam ou tenham interesse na nossa União de Freguesias, sem afiliações político-partidárias e que, desde a sua criação no final de Outubro, já viu serem colocadas algumas situações de interesse geral e que vos irei apresentar, bem como outras que me chegaram directamente.

São elas:
è Qual o estado das bocas-de-incêndio, dos caminhos de acesso à nossa floresta e dos tanques / reservatórios (Fontelas e Fonte Pequena em Bruscos) que podem ser utilizados para recarregar de água os meios de combate a incêndios dos bombeiros na ocorrência de um incêndio florestal?

O executivo prevê a manutenção / limpeza dos meios acima referidos?

Poderá a Junta intervir com vista ao abate dos pinheiros secos, eventualmente numa parceria com a população em que a quem limpasse as matas fosse permitido ficar com a madeira dos pinheiros secos cortados e o mato roçado?

Poderá ser realizado um simulacro coordenado pelos Bombeiros Voluntários de Condeixa e pela Protecção Civil?

è O que pretende fazer a Junta de Freguesia para agilizar a resolução do problema das ETAR’s de Bruscos e de Alcouce?

Existe alguma previsão para a implementação da rede de saneamento nas aldeias de Traveira, Mata, Ribaldo e Beiçudo?

Caso exista, poderá ser analisada e efectuada a ligação da descarga da ETAR de Bruscos por via de manilhas fechadas a essa nova rede de saneamento e posteriormente à rede de saneamento municipal em Alcabideque?

è Como é do conhecimento geral o estado em que ficaram os caminhos rurais onde no Inverno passado foram feitos trabalhos de abate e recolha de árvores por parte de empresas madeireiras, venho desta forma alertar para a necessidade de que a Junta de Freguesia, como forma a evitar um custo extra no seu já reduzido orçamento, fiscalize a utilização dos caminhos referidos por máquinas industriais.

Pode essa fiscalização passar pela:

o   Proibição do uso dos caminhos por veículos de grande porte durante os meses de Inverno e aplicação de multas aos infractores, bem como responsabilizá-los pela reposição dos caminhos a um estado transitável;

o   Cobrança às empresas de uma taxa pela utilização dos caminhos que já permita cobrir os custos de manutenção dos mesmos após o fim dos trabalhos pelas referidas empresas.

É claro que se trata de um tema controverso, pois as empresas irão reivindicar que tal não é financeiramente viável, mas não podemos permitir que para o lucro de uns, os restantes se vejam privados de aceder aos seus terrenos.

è Poderá a Junta de Freguesia, em parceria com a Câmara Municipal de Condeixa e o Agrupamento de Escolas de Condeixa, intervir junto da concessionária de transportes públicos, que realiza o transporte escolar, de forma a aumentar as condições para a frequência dos nossos jovens em idade escolar nas escolas do nosso concelho, em vez de frequentarem estabelecimentos privados ou semiprivados em concelhos vizinhos?

è À semelhança do que sucedeu na freguesia de Cernache, a Junta de Freguesia da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé, em parceria com a Segurança Social, Câmara Municipal de Condeixa e Centro de Saúde de Condeixa, poderia fomentar a realização de Rastreios de Saúde Gratuitos junto da população.

Estes rastreios seriam realizados por estudantes e formados em enfermagem, inscritos numa bolsa de voluntariado criada para o efeito, ou por profissionais contratados, caso a primeira opção não fosse viável.
           
è O Executivo da Junta de Freguesia prevê, ao longo do mandato para o qual está eleito, realizar obras com vista à pavimentação dos passeios nas aldeias da Mata, Ribaldo e Beiçudo, para que os arruamentos fiquem em condições semelhantes aos de Vila Seca e Bruscos?

è O caminho que liga Bruscos a Traveira, Freixo – Celão – Ponte Pau, em grande parte da sua extensão é ladeado pela Ribeira de Bruscos e em alguns locais o caminho já se encontra sem separação física em relação à ribeira, o que levará a que, na ocorrência de pluviosidade intensa durante o Inverno, as águas provoquem a inundação do caminho e consequente alagamento do mesmo.

É fundamental que sejam realizadas obras de manutenção e reparação nas áreas afectadas com a maior brevidade possível, de forma a evitar gastos maiores de futuro.

è O caminho em Bruscos que vai de Malta, passando pela Vinha de Igreja e dá acesso ao Vale não foi alvo de intervenções de limpeza e manutenção no último Verão e será um dos poucos que não o foram.

Tratando-se de um caminho estreito, em grande parte da sua extensão não permite a passagem de duas máquinas agrícolas lado a lado, e sendo utilizado com alguma frequência, é desejável que a Junta desenvolva os esforços necessários para que a limpeza e manutenção do mesmo em toda a sua extensão sejam realizadas.

è Em Bruscos, mais concretamente no entroncamento da Rua Nova com a Rua de Santo António junto ao terreno da Junta de Freguesia, verifica-se que a placa toponímica da Rua Nova se encontra caída e partida desde o último Inverno.

Como a actuação da Junta também deve dar atenção às pequenas coisas, era positivo que fosse realizada a colocação de uma nova placa de toponímia, mas desta vez, numa base que não estivesse tão sujeita a cair com o mau tempo.

            Não é necessário que seja dada uma resposta imediata a cada uma das situações acima descritas, mas é desejável que as mesmas sejam alvo de análise e tratamento pela Junta de Freguesia.
           
O grupo onde parte das situações colocadas foram primeiramente abordadas e debatidas tem como endereço:
           
Uma cópia desta intervenção será facultada ao Executivo da Junta e a cada grupo partidário eleito para a Assembleia de Freguesia, para colocação da mesma em acta, caso necessário.

Vila Seca, 21 de Dezembro de 2013

Tiago Avelino Mendes Acúrcio

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O outro 23 de Novembro de 1963

 Há 50 anos, no mesmo dia em que morria Kennedy, morriam Aldous Huxley e C.S. Lewis. Um escreveu "Admirável Mundo Novo"; o outro, "As Crónicas de Nárnia". Ambos procuraram uma verdade por caminhos alternativos.



Em 1957, antes de se tornar no mais carismático presidente da história dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy foi escritor. E teve êxito: ganhou o Prémio Pulitzer com “Profiles in Courage. Mas apenas seis anos depois – há precisamente meio século – o presidente escritor morreu assassinado. A sombra do magnicidio fez com que a maioria esquecesse que nesse 22 de novembro de 1963 faleceram Aldous Huxley e Clive Staples Lewis, dois autores verdadeiramente trascendentes no mapa da literatura contemporánea.

Os seus obituários, mais pequenos que o do presidente, tardaram em sair. O primeiro, morreu na Califórnia; o segundo, em Oxford. Os dois perderam as suas mães, quando eram crianças e os dois tinham uma literatura potente e carregada de alegorias, filosofia e perguntas que parecem respostas.

Um era cristão e o outro não. Os dois eram britânicos, ainda que C.S. Lewis tenha crescido em Belfast. As experiências traumáticas também os aparentam. Pouco antes de Lewis ter participado na Primeira Guerra Mundial e carregou essa vivência para o resto da sua vida, Huxley lutou contra uma cegueira que o manteve às escuras durante quase dois anos. Em 1942, escreveria a esse respeito “A Arte de Ver”. Os caminhos de um e doutro continuaram a cruzar-se sempre. Os dois casaram-se com estrangeiras.

A enumeração dos factos não é caprichosa. As vidas de ambos refletem-se nas suas obras e, por momentos, são indivisíveis.

Quando Lewis tinha 32 anos, o seu amigo J.R.Tolkien – autor de “O Senhor dos Aneis” – convenceu-o a voltar para o cristianismo, mas não conseguiu arrastá-lo para o catolicismo; decepcionado, viu Lewis tornar-se anglicano. A sua obra mais conhecida são os sete tomos que compõem “As Crónicas de Nárnia”: uma apología cristã. Lewis acreditava que a sua obra não sobreviveria, mas nunca se tornou tão famosa como nos últimos anos, depois da sua adaptação cinematográfica. O mesmo acontece com “A Trilogía Cósmica”. Foi ensaísta, escreveu as suas memórias e foi locutor. Mas nem sempre o recordam bem. Philip Pullman, autor de “A Matéria Obscura”, apelidou os seus livros de “reacionários” e “propaganda cristã”, “descaradamente racista”. Apologista cristão, seguramente, mas nem por isso descobriram uma placa em sua honra na Abadia de Westminster.

Para falar da vida e obra de Aldous Huxley, basta falar da sua morte, que a sua última esposa – Laura Archero – detalhou numa carta ao irmão do seu esposo, Julian Huxley. “A expressão do seu rosto começava a olhar como fez cada vez que praticava a medicina moksha, quando essa imensa expressão de completa felicidade e o amor o invadia. Dejixei que passasse meia hora e logo decidi dar-lhe outros 100 mg”, relata. Huxley decidiu viver essas horas numa viagem de LSD, enquanto a sua mulher recitava “O Livro Tibetano dos Mortos”.

Um certo misticismo oriental e a experimentação sensorial – que já tinha provado na sua cegueira precoce – aparecem em boa parte da sua obra. Durante as suas viagens de mescalina prévias às de LSD escreveu “As Portas da Perceção”. Muito anterior é o seu livro mais famoso – posterior a “Contraponto – Admirável Mundo Novo”, uma distopia futurista sobre o controle social. Continuou as suas viagens pela América Central e mais tarde pelo Médio Oriente. Visitou Buenos Aires e hospedou-se na casa de Victoria Ocampo. Já se tinha mudado permanentemente para os Estados Unidos,donde cultivou o seu misticismo e amizades com celebridades, tais como Charles Chaplin ou Walt Disney. Menos conhecido é “A Ilha”, a contraface de “Admirável Mundo Novo”. Em “A Ilha”, os nativos abandonam a medicina Moksha para se iluminarem. “O que sucedeu é importante, não só para os seus ente queridos como para a continuação do seu trabalho, pelo que tem import:ância para as pessoas”, escreve a sua viúva no começo dessa famosa carta.

Huxley e Lewis não eram amigos, como muitos pensam. Nem sequer há demasiados registos de que se tenham lido ou convivido. Parecem-se, sem dúvida. Os dois procuravam uma verdade sem o tom professoral de Herman Hesse. Um autor mais oportunista, Peter Kreft, imaginou um encontro entre eles e Kennedy, no Purgatório, na sua novela “Entre o Céu e o Inferno”. Quem sabe?!
 


*Guido Carelli Lynch é jornalista. Publicado em: http://www.revistaenie.clarin.com

Tradução: António José André