Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 28 de março de 2014

Intervenção na Reunião do Executivo da CMC de 27-Março-2014

Marcando presença mais uma vez na reunião quinzenal  aberta ao público do Executivo da Câmara Municipal de Condeixa, apresentei uma intervenção no período antes da ordem do dia.

Estive presente, acompanhado da camarada Gisela Martins, e dirigi-me ao Sr. Presidente Nuno Moita da Costa agradecendo primeiramente a celeridade com que a questão relativa às inspecções ao saneamento no lugar de Bruscos foi tratada, tendo sido contactado cerca de uma hora após a última reunião de 13 de Março de 2014 pela Engenheira responsável.

Questionei ainda o Sr. Presidente da CMC relativamente à deslocação do Executivo a Vila Seca no passado 20 de Março de 2014, uma vez que não foi possível constatar no site da CMC qualquer referência à mesma após a sua realização.

O Sr. Presidente informou que a visita decorreu bem, tendo na parte da manhã ouvido a população presente na sede da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé e na parte da tarde, visitado os locais referentes às situações que lhe foram apresentadas pela população.

Indicou ainda que, nesta primeira fase das "Reuniões do Executivo nas Freguesias", irá visitar num dia futuro a Bem da Fé, repetindo o mesmo modelo de visita semanal, com escuta de população na parte da manhã e visita aos locais na parte da tarde, bem como as restantes freguesias do Concelho.

Numa segunda fase, as "Presidências Abertas" irão percorrer novamente as sedes de freguesia, sendo realizadas ao fim-de-semana, de forma a permitirem uma maior participação da população indo no encalço da promessa eleitoral do PS de "mais proximidade".

Aguardo expectante pela continuação e evolução destas "Presidências Abertas", apenas salientando que poderiam ser mais proveitosas no imediato se tivessem começado logo a ser realizadas ao fim-de-semana.

Tiago Acúrcio

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

123 ANOS DE ANTONIO GRAMSCI

“A crise consiste precisamente no facto de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem.”


No dia 22 de janeiro de 1891, nascia na Sardenha António Gramsci, teórico e ativista político marxista. Militante do Partido Comunista Italiano, foi perseguido e preso, em 1926, durante o regime fascista de Benito Mussolini. Na cadeia, produziu, entre 1929 e 1935, uma obra fenomenal, manuscrita em mais de trinta cadernos, que entraram para a história do marxismo.

Pode ler as obras de Gramsci em:

E também os textos: "A revolução contra 'O capital'", "O conceito de revolução passiva", "O problema da direção política na formação e no desenvolvimento da nação e do Estado moderno na Itália" e "Observações sobre alguns aspetos da estrutura dos partidos políticos nos períodos de crise orgânica", em “As armas da crítica: antologia do pensamento de esquerda"

Quando a vanguarda esclarecida saiu à rua


Há 20 anos, estavam a receber pancada da polícia nas escadas da Assembleia. Meses depois, alguns mostravam o rabo ao Governo. Agora, têm 40 e estão à beira de tomar o poder nos vários sectores da vida nacional. Aprenderam que “é possível mudar as coisas. Através da acção colectiva, consegue-se tudo. Nós sabemos que é assim, porque isso aconteceu connosco”. Quem eram e onde estão hoje os líderes dessa geração a que chamaram “rasca”?

Um jovem de corpo franzino e olhar grave é apanhado pelo repórter da SIC, que lhe pergunta o que vão fazer a seguir. A polícia de intervenção acabara de carregar sobre os estudantes que se manifestavam em frente à Assembleia da República, contra o aumento das propinas.
“Vamos tentar saber quem é o responsável pelo corpo de intervenção, o excelentíssimo senhor fascista que manda neste corpo de intervenção, que deve ser alguém”, responde o jovem, João Afonso, estudante de Arquitectura e líder da Associação Académica de Lisboa.
“Começámos por contestar o aumento das propinas, fomos alargando as reivindicações, que se tornaram mais políticas, até chegarmos a exigir a demissão do Governo”, diz agora à Revista 2 João Afonso, que é vereador de Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, eleito pelas listas do PS através da plataforma Cidadãos por Lisboa, de Helena Roseta.
João Afonso era um dos líderes da chamada guerra antipropinas. Representava a faceta apartidária que a caracterizou e lhe deu a originalidade e a força.
O movimento estava no auge, nesse dia 24 de Novembro de 1994, há 20 anos. Ou pelo menos num momento decisivo. Se a intensidade das acções e manifestações começara a enfraquecer, ganhava agora novo impulso, com a própria repressão dos protestos. A violência policial contra a manifestação de 24 de Novembro relançaria o movimento. Duas semanas depois realizava-se uma das maiores manifestações do movimento estudantil português, com cerca de 20 mil participantes. Foi convocada uma greve, que contou com uma adesão sem precedentes. Em consequência dos protestos, o ministro da Educação, Couto dos Santos, foi demitido. Dois anos depois mudaria o ciclo político, com a derrota do PSD e a nomeação de António Guterres para a chefia do Governo, e o recuo da lei da propinas, pelo menos durante algum tempo. Mas como começou o movimento dos estudantes, e porquê?
De início, tudo se passou nos meandros do activismo político lisboeta do PCP e do PSR (Partido Socialista Revolucionário, trotskista, uma das forças que daria origem ao Bloco de Esquerda). O PSD fora reeleito em 1991, e o novo ministro da Educação de Cavaco Silva, Diamantino Durão, começara logo a falar de uma mudança no sistema de financiamento do Ensino Superior, o que deu origem a alguns protestos. Mas não tão importantes como os que contestavam a Prova Geral de Acesso (PGA). Entrou em vigor em 1989 como forma de acesso ao Ensino Superior e consistia em exames de língua portuguesa e cultura geral, sem relação directa com as matérias leccionadas nos últimos anos do Secundário. Isto era apresentado como uma garantia de igualitarismo e justiça, mas não deixou de ser visto como precisamente o contrário. A PGA era uma forma de selecção destinada a favorecer os alunos oriundos das classes altas. Quem tinha tido acesso em casa a uma boa cultura geral estava em vantagem.

Começámos por contestar o aumento das propinas, fomos alargando as reivindicações, que se tornaram mais políticas, até chegarmos a exigir a demissão do Governo
João Afonso, líder da Associação Académica de Lisboa em 1993

A luta contra o aumento das propinas não era uma causa tão óbvia para a esquerda partidária, que ainda tendia a olhar para os estudantes como uma classe privilegiada da sociedade. Se era verdade que o ensino deveria ser “tendencialmente gratuito”, como consagrava a Constituição, nem todos simpatizavam com a ideia de que deveria ser o povo, incluindo os mais pobres, a pagar com os seus impostos um ensino a que só alguns teriam acesso. Tratava-se de passar a pagar o equivalente a seis euros para 250.
E se a causa não era a paixão dos partidos de esquerda, ainda menos interessava às organizações representativas dos estudantes, que na altura eram controladas maioritariamente pela JSD. Depois dos anos intensos após o 25 de Abril, o movimento associativo despolitizara-se. As associações de estudantes passaram a ocupar-se mais do apoio à actividade lectiva, fornecendo apontamentos e fotocópias, e da realização de festas e eventos praxistas.
Depois da tradição heróica da juventude de 1969 e 1974, os anos 80 estão ligados ao hedonismo e individualismo”, disse-nos Ana Drago, dirigente do Bloco de Esquerda e activista do movimento antipropinas dos anos 90. “Os anos 80 são fracos no movimento associativo, embora fortes nos movimentos culturais. São os tempos do Punk, da criação de revistas, etc”. Dominava o individualismo, ligado à ideia dos yuppies, do sucesso financeiro fácil, do consumismo. “Cavaco Silva incentiva essa mentalidade yuppie nos jovens”. Uma mentalidade que floresce nos anos 80, mas que nos 90 não é mais do que frustração.
Havia portanto condições para um reacordar do movimento estudantil, embora as estruturas existentes não estivessem preparadas para o enquadrar e conduzir. As associações de estudantes de esquerda, em Lisboa, começam a organizar a contestação, mas o movimento só ganha ímpeto e força quando se liberta das estruturas partidárias. “O movimento surge e afirma-se contra o controlo das juventudes partidárias”, diz Ana Drago, que é autora de um estudo sobre o movimento estudantil antipropinas, Agitar Antes de Ousar, publicado pelas edições Afrontamento. “Nas assembleias magnas, o discurso que dominava era a crítica às direcções das juventudes partidárias”.
O primeiro momento importante desta autonomização do movimento surge em Março de 1992, quando uma lista independente vence as eleições para a direcção da Associação Académica. António Vigário, líder da famosa Lista E e hoje advogado no Porto, declarou, após a vitória: “Hoje, na Academia, as pessoas começam a acreditar que é possível a AAC ser gerida de forma independente, sem ter nada a ver com os partidos. E esta é talvez a melhor e única forma de lutar contra os problemas que se avizinham”. E estava certo.
Pela mesma altura, na maior faculdade de Coimbra, a de Ciências e Tecnologia, a Lista I, também independente, ganhava a presidência da Associação de Estudantes, sob a liderança de João Paulo Saraiva. “Havia uma lógica segundo a qual as associações de estudantes existiam para servir os partidos. Nós queríamos quebrar essa lógica”, disse à Revista 2 João Paulo Saraiva, que é hoje vereador substituto de João Afonso na Câmara de Lisboa.

O movimento surge e afirma-se contra o controlo das juventudes partidárias
Ana Drago, autora de Agitar Antes de Ousar

Consciente da importância dessa ruptura em relação aos partidos, apoiou Vigário em 92, para evitar as divisões que as direcções das Juventudes Partidárias tentaram promover. Essa sua atitude, explica agora, foi fundamental para permitir a coesão e sobrevivência do movimento que estava a nascer. Outro factor decisivo foi a adesão ao grupo contestatário, em Lisboa, da direcção da Associação de Estudantes de Arquitectura, onde também tinha vencido uma lista independente, dirigida por João Afonso. Quem o diz, hoje, é Rui Almeida Pereira, que presidia à Associação da Escola de Belas Artes, ligada ao PCP.
Rui, que é hoje assessor do vereador João Afonso, foi dos primeiros a compreenderem que as propinas eram um motivo para agregar os estudantes em torno de uma luta contra o regime. “Em Belas Artes não tínhamos dúvidas. O aumento das propinas era inadmissível. Punha em causa o carácter democrático do ensino superior. “O movimento associativo estava tomado pelo sistema, dominado pela JSD. Mas nós sentíamos que havia uma luta a travar. Pensávamos: nós somos jovens, queremos a nossa independência. Não queremos depender dos nossos pais. Queremos ter um futuro e ser nós a escolhê-lo. Queremos pensar pela nossa cabeça”.
Rui Almeida Pereira tinha porém a noção de que o movimento era inicialmente muito fraco, sem expressão junto da massa estudantil, não obstante todos os esforços para parecerem importantes e fortes. “Nós não representávamos ninguém. Éramos um bairro, nada mais. Se Arquitectura não tivesse aderido, não teria acontecido nada”.
O movimento começou com sete associações de estudantes, independentes ou ligadas a partidos de esquerda, mas foi-se alargando. Uma a uma, as associações da JSD foram caindo, e as várias faculdades foram aderindo ao movimento.
“As propinas foram o elemento agregador, mas havia um clima geral de insatisfação”, diz agora João Almeida, que também foi líder do movimento e trabalha agora no pelouro de Direitos Sociais da Câmara de Lisboa. “Discutíamos a justiça ou injustiça das propinas, mas daí partimos para a discussão do papel do Estado, da sua função no financiamento do ensino, na distribuição dos bens sociais”.
Era um desenvolvimento lógico. A resposta à pergunta “Quem deveria pagar o ensino superior?” poderia levar muito longe. O ensino deveria ser financiado por aqueles que dele usufruem, diziam uns. Porque são eles que, acima de tudo, irão beneficiar desse ensino. Com um curso superior, terão mais hipóteses de encontrar um bom emprego, de virem a ser privilegiados na sociedade.
Não, diziam outros. Quem beneficia da existência do ensino superior é a sociedade inteira. Porque a existência de médicos, engenheiros ou professores é do interesse de todos. E irá contribuir para o aumento geral da riqueza, que beneficiará o povo em geral.
Era esta abordagem teórica que fazia sentido para um número cada vez maior de estudantes. Estes, na época, já não eram uma elite da sociedade, lembra Ana Drago. Já tinha ocorrido a democratização do ensino, e quem estava nas universidades eram os filhos de todas as classes sociais, ou pelo menos das classes médias. Nesse sentido, as suas aspirações e interpretações representavam as da sociedade inteira, de que eram uma espécie de vanguarda esclarecida.
No discurso das discussões da época, que eclodiam nas muito participadas RGA (reunião geral de alunos) das várias faculdades, surgia com frequência o tema da Europa e da Comunidade Europeia. Havia um sonho de equiparação à juventude dos países europeus, expectativa que foi criada pela adesão de Portugal à CEE e pelo rápido crescimento económico dos anos 80, empurrado pelos fundos europeus. O anúncio do aumento das propinas em mais de 3000% parecia pôr em causa essa aspiração.
Além disso, havia o pressentimento de que, com os arranjos comunitários em relação ao processo produtivo, nada mais restava a Portugal como bem competitivo do que a Educação. Tornava-se evidente que não seríamos fortes na indústria nem na agricultura ou pescas. No sistema económico de que agora fazíamos parte, ou formávamos uma mão-de-obra altamente competente e qualificada, ou estaríamos condenados ao fracasso.
De uma forma mais ou menos consciente, este sentimento moveu os jovens nos anos 90. Como que uma premonição do abismo que nos esperava. A Educação para todos era o grande bem dos novos tempos democráticos e europeus. E isso ficava agora comprometido, com a instauração das propinas elevadas.
Multiplicaram-se as ocupações de instalações, os debates, mas manifestações. João Paulo Saraiva recorda que havia grupos que viajavam por todo o país para levar a discussão às várias faculdades. Ele próprio demorou 10 anos a concluir um curso de cinco, de tal maneira se empenhou na construção do movimento. Quase ninguém, entre os líderes da altura, fez o curso sem repetir anos.
O movimento assumiu proporções significativas, reconhecem agora os seus protagonistas, também muito por causa dos media. Também nesse sector havia uma revolução em curso. Em 1989 nasceu a TSF. O PÚBLICO começou no ano seguinte. A SIC começa as emissões em 1992, a TVI em 1993.

Havia uma lógica segundo a qual as associações de estudantes existiam para servir os partidos. Nós queríamos quebrar essa lógica
João Paulo Saraiva, Ass. de Estudantes da FCT de Coimbra

“Os novos media queriam afirmar-se, e viram neste movimento de jovens a sua oportunidade”, diz João Paulo Saraiva. Alguns líderes do movimento eram jornalistas nestes novos órgãos de comunicação, lembra Ana Drago. Havia uma certa comunhão de ideais. E havia factos para noticiar. Acontecimentos interessantes, animados, protagonizados por jovens, a proporcionar imagens e relatos vivos e apelativos.
O aproveitamento foi recíproco. Os media precisavam de matéria de reportagem, e os jovens antipropinas precisavam de amplificação. Rui Almeida Pereira lembra-se da primeira conferência de imprensa. “Estávamos todos em fila, numa mesa, para falar um de cada vez. Quando chegou a minha vez, fiquei paralisado, só dizendo ‘hum, hum, hum…”
Nunca mais seria assim. Depressa aprenderam a lidar com os media. O que funcionava não eram conferências de imprensa. Eram os happenings e as manifestações. O julgamento simbólico do ministro Couto dos Santos, em Coimbra, que acabou condenado a um banho no Mondego, para “refrescar as ideias”, ou a exibição dos traseiros ao ministro e às câmaras de televisão, no Congresso Nacional do Ensino Superior, no Centro Cultural de Belém.
A exibição dos rabos, onde estava escrito o slogan de todo o período — “Não pagamos!” — foi decidida por elementos do PSR, e não obteve a aprovação da maioria dos líderes contestatários. Mas acabaria por se tornar numa imagem de marca do movimento. Esse gesto de gosto menos unânime e todo um conjunto de elementos de estilo que dominavam as manifestações viriam a justificar o epíteto infeliz de “geração rasca”, nascido num editorial do director do PÚBLICO, Vicente Jorge Silva.
Os líderes do movimento interpretam isso hoje como uma reacção da geração anterior, habituada a ver os movimentos de juventude como algo muito dramático e sisudo. O contexto político do movimento de 1969 não se compadecia, de facto, com brincadeiras, bebedeiras ou slogans cantados à maneira das claques de futebol. O estilo dos jovens que cresceram nos fúteis anos 80 era diferente, e estranho ao romantismo que dominava o imaginário da geração mais velha.
A geração da guerra das propinas, que entretanto se apressou a autodenominar-se como “à rasca”, sentiu-se magoada com a desconsideração. Porque afinal foram eles que ressuscitaram o velho espírito rebelde e contestatário de Abril. Eles são os primeiros, explica João paulo Saraiva, a não sentir e e não ficar paralisados com a desilusão de Abril. “Aqueles que viveram a revolução nos anos da juventude, que eram estudantes universitários e se envolveram nos acontecimentos, ficaram depois tão decepcionados que nunca mais acreditaram que fosse possível fazer alguma coisa para mudar. Nós só recordamos o que havia de festa nesse tempo revolucionário”. Tinham 5, 6 ou 7 anos e recordam a euforia, o sentimento de esperança que reinava. Algo que lhes ficou gravado na memória como um sentimento feliz de acção colectiva. E foi isso que fizeram reviver nos anos 90, durante a sua própria juventude.

As propinas foram o elemento agregador, mas havia um clima geral de insatisfação
João Almeida, um dos líderes do movimento

E o que fizeram viria a marcá-los para toda a vida. Ana Drago admite que foi a aventura daquele período que constituiu a sua aprendizagem política. Os outros líderes com quem falámos contaram que nunca mais abandonaram a acção política e cívica, nem a atitude e ética que os orientava então.
Muitos dos líderes daquela a que se chamou a “geração rasca” viriam a militar no PS, no PCP, no Bloco de Esquerda. Há quem diga aliás que o BE, nascido em 1999 da fusão da UDP, PSR e Política 21, é um fruto da evolução do grupo de pessoas que nasceu para a política nos anos de brasa entre 1991 e 1995.
Seja em que partido for, ou fora dos partidos, há traços que se mantêm no comportamento de todos eles, dizem alguns dos ex-líderes estudantis de 90. A tendência para agir fora do âmbito dos partidos é um deles. “O gosto de trabalhar com as pessoas, com grupos de cidadãos, com associações de base, de criar movimentos unindo pessoas em torno de causas ou objectivos”, diz João Almeida.
O pragmatismo, acrescenta João Afonso. “Temos uma grande capacidade de dialogar com pessoas de várias tendências políticas, de aceitar ideias diferentes, trabalhar com pessoas de várias proveniências em projectos comuns”.
“Um gosto de discutir ideias, de reflectir sobre as questões, até de mudar de opinião, quando confrontados com argumentos contrários, que nos vem dessa época e nos caracteriza”, diz João Paulo Saraiva. Que acrescenta outro traço de personalidade desta geração que tem agora 40 anos e está à beira de tomar o poder nos vários sectores da vida nacional: “Nós tivémos a experiência de que é possível mudar as coisas. Através da acção colectiva, consegue-se tudo. Nós sabemos que é assim, porque isso aconteceu connosco. E aplicamos essa atitude na nossa prática de hoje”.
João Paulo Saraiva acredita que a sua geração vai mudar muitas coisas na forma de fazer política ou exercer liderança nos próximos tempos. “A diferença vai notar-se”.
João Almeida acha que outra característica da geração é a capacidade de pensar as organizações de forma instrumental. “Nós estamos sempre a criar grupos e organizações, a entrar numas, a sair de outras. Eu pertenci à Política 21, ao Bloco de Esquerda, à ATAC. Estamos sempre ligados a organizações”. João Afonso acrescenta que não têm espírito clubista. Não se mantêm fiéis a um partido ou outro tipo de grupo, só por hábito ou fidelidade oca. Estão numa organização quando a colaboração é operativa, saem ou desfazem o grupo quando ele já não serve os propósitos de acção.

Hoje os jovens lutam por se manterem no sistema. Nenhum fará como eu, que passei seis meses sem ir às aulas
João Paulo Saraiva, Ass. de Estudantes da FCT de Coimbra

Em muitos casos, os líderes da guerra das propinas mantêm-se unidos como se a luta ainda continuasse. Estão nas mesmas organizações, são amigos, entreajudam-se como se fossem uma associação secreta. “Ainda tenho no telemóvel os números de todos”, diz João Almeida. E João Afonso explica: “Mantemos uma proximidade. Porque há uma preocupação comum com as questões públicas”. Estarem agora juntos nos Direitos Sociais da Câmara não é um acaso.
E parecem trabalhar uns com os outros com o mesmo espírito que os animava naquela época em que Pedro Passos Coelho era o líder da JSD, António José Seguro o líder da JS, e Aníbal Cavaco Silva primeiro-ministro. Talvez as coisas não tenham mudado muito.
Mas o grupo tem a noção de que aquele tempo que marcou as suas vidas não se repetirá. Foi provavelmente o último acto glorioso do movimento estudantil. Tudo aquilo foi possível precisamente porque não havia propinas. O ensino era gratuito e por isso um jovem podia dar-se ao luxo de perder aulas, de perder anos, para se dedicar a tempo inteiro à contestação. “Hoje, não seria possível”, diz João Paulo Saraiva. “Hoje os jovens lutam por se manterem no sistema. Nenhum fará como eu, que passei seis meses sem ir às aulas”. Aquela condição de estudante, de jovem disponível, informado, enquadrado numa estrutura, mas sem grandes responsabilidades familiares ou económicas, desapareceu para sempre. Eram as condições que tornaram possível tanto o Maio de 68, em França, como o movimento antipropinas do início dos anos 90 em Portugal. “Muitos movimentos de mudança social na Europa foram protagonizados pelos estudantes”, diz João Paulo. “Nunca mais acontecerá.”

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

2013/música: recordatório de esquecidos

Desde Lou Reed a Johnny Laboriel, passando por Ray Manzarek e George Duke, foram muitas as vozes que encontraram o silêncio final, em 2013. Já se ouviu falar bastante sobre estes falecidos, mas recordemos outros compositores, produtores, instrumentistas e cantores desaparecidos.

Antes de mais, podemos dizer que 2013 foi um ano especialmente mau para o som da Motown. Só dos Temptations morreram dois membros: Otis Damon Harris e Richard Street. A eles se devem as faixas “Papa Was a Rollin’ Stone” e “Masterpiece”. Do mesmo movimento, faleceu Bobbie Smith, cantor dos Spinners, que nos anos 60 cantavam “That’s What Girls Are Made For” e “Then Came You”. Conhecida por criar e desenvolver a imagem dos artistas da Motown Records, faleceu também Maxine Powell, aos 98 anos de idade.

A antiga cidade motor vai desaparecendo e a sua voz também!

Em terrenos próximos, mas na área do funk, desapareceu Cleotha Staples dos Staples Singers. “Respect Yourself” é faixa mais conhecida e reinterpretada deste quarteto. E da mesma tribo, morreu Cordell BoogieMosson, baixista dos Parliament-Funkadelic, um dos projetos mais emblemáticos dos anos 70. Foi colega de Bootsy Collins e Rocco Prestia.

Também houve desaparecimentos relevantes, na área do rock, que passaram despercebidos à maioria dos melómanos. Como foi o de Kevin Ayers, dos Soft Machine, banda interessante do movimento psicodélico, e o de Bobby Rogers, falecido aos 73 anos, membro dos Miracles. Outro foi o de Peter Banks, guitarrista original dos Yes, grupo de rock progressivo, que ao longo dos anos foi caindo no esquecimento. E Chi Cheng, baixista dos Deftones.

Por causas diferentes, morreu Jeff Hanneman dos Slayer, um dos maiores ícones da guitarra metaleira, e Alan Myers, baterista dos Devo, banda que, durante a new wave, nos trouxe a contudente faixa “Whip It”. Muito menos afortunados foram Soroush e Arash Farazmand, membros da banda iraniana Yellow Dogs, que desde hace 3 anos ascendia na cena underground de Brooklyn, em Nova Iorque. Eles escaparam da opressão no seu país, mas foram assasinados, em novembro por um membro dos Free Keys, outro projeto do mesmo país. Mas uma das mortes de maior peso no rock foi a de Alvin Lee, conhecido pela sua participação nos Ten Years After.

O blues também perdeu alguns talentos, como Jimmy Fast Fingers Dawkins, originario de Chicago. No jazz, destacamos a partida de Jim Hall, um dos guitarristas mais influentes e tão notável como Pat Metheny e Bill Frisell. Também nos deixou Yusef Lateef, executante da fusão entre o jazz e a música oriental. Além disso, faleceu Donald Byrd, trompetista que tocara com Herbie Hancock, John Coltrane e Sonny Rollins.

Representando muitos e invisíveis músicos de estúdio que desapareceram, em 2013, está Ricky Lawson, outrora baterista de Michael Jackson, Eric Clapton, Phil Collins e Whitney Houston. Despediram-se dois génios das consolas, Phil Ramone e Andy Johns. O primeiro, produziu Paul Simon, Bob Dylan, Frank Sinatra e Ray Charles. O segundo, produziu Led Zeppelin (IV) e Rolling Stones (Exile on Main Street)... E poderíamos continuar a enumerar “esquecidos”, mas ficam estes como um recordatório.

Os holofotes nem sempre iluminam acertadamente na vida, nem na morte!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A ETAR em Bruscos e o seu bom funcionamento

O Sr. Nuno Moita da Costa, presidente da Câmara Municipal de Condeixa, numa publicação no seu facebook pessoal, deu conta da sua visita ao local da ETAR de Bruscos e do bom funcionamento da mesma.


Abaixo a imagem da publicação e o texto da mesma:





"Esta tarde visitei a ETAR de Bruscos, na freguesia de Vila Seca, onde pude constatar o bom funcionamento daquela estação, sem produção de cheiros nem resíduos. Estaremos, no entanto, atentos a novas soluções capazes de melhorar ainda mais a performance da ETAR."


Essa publicação é rematada pelo comentário da Sra. Lurdes Simões que também transcrevo:



"Eu quando sai daquela coisa, a que chamam partido, onde nunca deveria ter entrado,mas todos erramos, também lá fui. Todos os meses me enviavam mails e mais mails sobre o mau funcionamento da ET, de Bruscos, vi exatamente o que tu viste, mas como o Jorge Mateus tem um ódio figadal à CMC, e não tem mais por onde pegar, inventa maus cheiros, poluição dos terrenos... enfim.....! Não penses que se vão calar, insistem só para te chatear!!! Tens de ter paciência, aqauela gente não é como nós, eu sei do que falo, são capazes de tudo!! Beij Nuno Moita da Costa"


Felizmente à hora que faço esta publicação, o Sr. Carlos Alves, habitante de Bruscos afecto ao Partido Socialista, já tentou dar uma espécie de alerta ao Sr. Presidente:


"Atenção Sr. Presidente! estamos em época de chuvas e no verão não funciona assim!!!Também sei que a CMC este ano 2014 irá resolver esta situação,não é verdade?"


Para que o Sr. Nuno Moita da Costa e a Sra. Lurdes Simões ganhem alguma memória sobre a realidade da ETAR de Bruscos, porque não é com a Ribeira de Bruscos com elevado caudal de água que se vão sentir os cheiros nem ver os resíduos, isso acontece quando o caudal de água é reduzido ou nulo, que por sinal até é a maioria do ano, permito-me colocar de seguida os links das denúncias que foram feitas desde 2011 pelo BE Condeixa, BE Vila Seca e mais recentemente BE Vila Seca e Bem da Fé e as intervenções dos representantes do BE na AM de Condeixa (pasme-se se algumas não foram feitas pela Sra. Lurdes Simões).


São as seguintes:

19 de Julho de 2011 
Rede de Esgotos de Vila Seca e Bruscos

23 de Abril de 2012
Propostas para a Assembleia de Freguesia de 28 de Abril de 2012

29 de Maio de 2013
Cronologia das Nossas Intervenções Relativas à ETAR de Bruscos

15 de Setembro de 2013
BE Condeixa arranca a campanha com foco nos problemas ambientais!

8 de Outubro de 2013
A Ribeira de Bruscos

16 de Dezembro de 2013
Moções para a Assembleia de Freguesia de 21 de Dezembro de 2013 - BE União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé

23 de Dezembro de 2013
Resultado da Votação da Moção relativa à ETAR de Bruscos e Vila Seca (votada favoravelmente por unanimidade, ou seja, representantes do PS incluídos)

8 de Janeiro de 2014
Intervenções dos representantes do BE na AM de Condeixa relativas à ETAR de Bruscos


Desde o início de funcionamento da ETAR de Bruscos, não foi feita qualquer intervenção para eliminar os maus cheiros e resíduos acumulados, salvo a deslocação de funcionários da CMC para fazerem a limpeza da Ribeira.

Apesar da coima de que foi alvo a CMC, a situação continua a arrastar-se.

É incrível como o Sr. Nuno Moita da Costa tenta aproveitar-se das condições meteorológicas e do caudal da Ribeira para tentar fazer passar a imagem de que tudo está bem?

É uma justificação para que a população não diga que ele nem se dignou a ir ao local? 

Então porque não o fez antes de chover? 

Será por os funcionários encarregues da limpeza apenas agora lhe indicarem que o local se encontra em condições para ficar bem na fotografia?

Tenho a lamentar que a população de Condeixa e, em especial de Bruscos, seja alvo de tão baixa demagogia por parte do Sr. Nuno Moita da Costa e frisar que o camarada Jorge Mateus não tem qualquer ódio à CMC, como tão mesquinho comentário da Sra. Lurdes Simões afirma.



Tiago Acúrcio

domingo, 29 de dezembro de 2013

Reunião Aberta do Executivo da Junta de Vila Seca e Bem da Fé de 27 de Dezembro de 2013

Após a minha intervenção na Assembleia de Freguesia de 21 de Dezembro de 2013, o Sr Tesoureiro do Executivo da Junta da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé convidou-me a estar presente nas reuniões do Executivo abertas ao público que se realizam na última sexta-feira do mês pelas 20h00.

Estive então presente na reunião que se realizou na passada sexta-feira, tendo recebido as informações seguintes:

Em relação às questões relativas à prevenção e combate à incêndios, a Junta indicou que devido ao novo enquadramento legal entre as Juntas de Freguesia e a Proteção Civil, já estão a ser desenvolvidos contactos com diversas entidades com vista a resolução dessa situações.

Relativamente ao ponto que focava o abate de pinheiros secos, a Junta indicou que é complicado intervir junto de particulares para que os mesmos procedam ao abate das árvores ou permitam que outros o façam.

Em relação à ETAR de Vila Seca e Bruscos, o Executivo tem a informação de que a resolução do problema associado à mesma passará, possivelmente e provavelmente, pela instalação de um sistema de filtragem das águas provenientes do Lar, que já serão decantadas pelo próprio Lar, e emanilhamento ou aplicação de tubagem desde a saída das águas da ETAR até um ponto incerto, posterior às terras de cultivo.

Em relação ao uso dos caminhos rurais por máquinas industriais de madeireiros, o Executivo informou que após contactar com outras Juntas do Concelho verificou que não existe qualquer informação sobre se é ou não possível legislar o uso dos caminhos, ao que eu lhes indiquei que deveriam solicitar ao Joaquim Donário a melhor forma a contactarem com a Junta que já o fez.

Quanto à melhoria dos serviços de transporte escolar, o Executivo indicou que se trata de uma questão da responsabilidade da Câmara Municipal de Condeixa, mas que irá tentar sensibilizar a CMC nesse sentido.

Quanto à pavimentação das ruas da Mata, Beiçudo e Ribaldo, a mesma já se encontra em curso por parte da CMC.

Em relação ao saneamento para Traveira, Mata, Beiçudo e Ribaldo não existe previsão para o mesmo.

As obras de reparação e manutenção do caminho de Bruscos a Traveira [Freixo - Ponte Pau (via Celão)] estão pendentes de análise, financiamento e execução, não havendo ainda a certeza de que as mesmas possam ser realizadas em 2014.

Quanto ao caminho da Vinha de Igreja em Bruscos, o Executivo irá verificar as condições do mesmo e agir em conformidade.

Relativamente à placa toponímica da Rua Nova em Bruscos, o Executivo informou que tem conhecimento de mais algumas placas danificadas por toda a União de Freguesias e irá avançar para a mudança das mesmas.

Continuarei a fazer o acompanhamento das situações que apresentei e levarei à Junta e à Assembleia todas as novas que venham surgindo e que tome conhecimento!

Existem algumas situações que a Junta tem em curso, mas que se encontram pendentes de protocolos ou parcerias com outras entidades, que de momento não irei ainda apresentar, pois a própria Junta ainda não tem a certeza de que as mesmas poderão vir a bom porto ou não, mas assim que existam certezas também as irei publicar.

Cumprimentos Democráticos a tod@s!

Tiago Acúrcio

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Intervenção na Assembleia de Freguesia Ordinária de 21 de Dezembro de 2013

Sr. Presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé, Srs. Eleitos para a Assembleia de Freguesia, Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Srs. Membros do Executivo.

Como será do conhecimento de alguns dos presentes, eu, Tiago Avelino Mendes Acúrcio, residente em Bruscos, criei na rede social Facebook o grupo “Vila Seca e Bem da Fé – Democracia Participativa”, um grupo onde a população interessada pode colocar situações a debate e para apresentação nesta Assembleia.

Trata-se de um grupo aberto a todos os que sejam, vivam ou tenham interesse na nossa União de Freguesias, sem afiliações político-partidárias e que, desde a sua criação no final de Outubro, já viu serem colocadas algumas situações de interesse geral e que vos irei apresentar, bem como outras que me chegaram directamente.

São elas:
è Qual o estado das bocas-de-incêndio, dos caminhos de acesso à nossa floresta e dos tanques / reservatórios (Fontelas e Fonte Pequena em Bruscos) que podem ser utilizados para recarregar de água os meios de combate a incêndios dos bombeiros na ocorrência de um incêndio florestal?

O executivo prevê a manutenção / limpeza dos meios acima referidos?

Poderá a Junta intervir com vista ao abate dos pinheiros secos, eventualmente numa parceria com a população em que a quem limpasse as matas fosse permitido ficar com a madeira dos pinheiros secos cortados e o mato roçado?

Poderá ser realizado um simulacro coordenado pelos Bombeiros Voluntários de Condeixa e pela Protecção Civil?

è O que pretende fazer a Junta de Freguesia para agilizar a resolução do problema das ETAR’s de Bruscos e de Alcouce?

Existe alguma previsão para a implementação da rede de saneamento nas aldeias de Traveira, Mata, Ribaldo e Beiçudo?

Caso exista, poderá ser analisada e efectuada a ligação da descarga da ETAR de Bruscos por via de manilhas fechadas a essa nova rede de saneamento e posteriormente à rede de saneamento municipal em Alcabideque?

è Como é do conhecimento geral o estado em que ficaram os caminhos rurais onde no Inverno passado foram feitos trabalhos de abate e recolha de árvores por parte de empresas madeireiras, venho desta forma alertar para a necessidade de que a Junta de Freguesia, como forma a evitar um custo extra no seu já reduzido orçamento, fiscalize a utilização dos caminhos referidos por máquinas industriais.

Pode essa fiscalização passar pela:

o   Proibição do uso dos caminhos por veículos de grande porte durante os meses de Inverno e aplicação de multas aos infractores, bem como responsabilizá-los pela reposição dos caminhos a um estado transitável;

o   Cobrança às empresas de uma taxa pela utilização dos caminhos que já permita cobrir os custos de manutenção dos mesmos após o fim dos trabalhos pelas referidas empresas.

É claro que se trata de um tema controverso, pois as empresas irão reivindicar que tal não é financeiramente viável, mas não podemos permitir que para o lucro de uns, os restantes se vejam privados de aceder aos seus terrenos.

è Poderá a Junta de Freguesia, em parceria com a Câmara Municipal de Condeixa e o Agrupamento de Escolas de Condeixa, intervir junto da concessionária de transportes públicos, que realiza o transporte escolar, de forma a aumentar as condições para a frequência dos nossos jovens em idade escolar nas escolas do nosso concelho, em vez de frequentarem estabelecimentos privados ou semiprivados em concelhos vizinhos?

è À semelhança do que sucedeu na freguesia de Cernache, a Junta de Freguesia da União de Freguesias de Vila Seca e Bem da Fé, em parceria com a Segurança Social, Câmara Municipal de Condeixa e Centro de Saúde de Condeixa, poderia fomentar a realização de Rastreios de Saúde Gratuitos junto da população.

Estes rastreios seriam realizados por estudantes e formados em enfermagem, inscritos numa bolsa de voluntariado criada para o efeito, ou por profissionais contratados, caso a primeira opção não fosse viável.
           
è O Executivo da Junta de Freguesia prevê, ao longo do mandato para o qual está eleito, realizar obras com vista à pavimentação dos passeios nas aldeias da Mata, Ribaldo e Beiçudo, para que os arruamentos fiquem em condições semelhantes aos de Vila Seca e Bruscos?

è O caminho que liga Bruscos a Traveira, Freixo – Celão – Ponte Pau, em grande parte da sua extensão é ladeado pela Ribeira de Bruscos e em alguns locais o caminho já se encontra sem separação física em relação à ribeira, o que levará a que, na ocorrência de pluviosidade intensa durante o Inverno, as águas provoquem a inundação do caminho e consequente alagamento do mesmo.

É fundamental que sejam realizadas obras de manutenção e reparação nas áreas afectadas com a maior brevidade possível, de forma a evitar gastos maiores de futuro.

è O caminho em Bruscos que vai de Malta, passando pela Vinha de Igreja e dá acesso ao Vale não foi alvo de intervenções de limpeza e manutenção no último Verão e será um dos poucos que não o foram.

Tratando-se de um caminho estreito, em grande parte da sua extensão não permite a passagem de duas máquinas agrícolas lado a lado, e sendo utilizado com alguma frequência, é desejável que a Junta desenvolva os esforços necessários para que a limpeza e manutenção do mesmo em toda a sua extensão sejam realizadas.

è Em Bruscos, mais concretamente no entroncamento da Rua Nova com a Rua de Santo António junto ao terreno da Junta de Freguesia, verifica-se que a placa toponímica da Rua Nova se encontra caída e partida desde o último Inverno.

Como a actuação da Junta também deve dar atenção às pequenas coisas, era positivo que fosse realizada a colocação de uma nova placa de toponímia, mas desta vez, numa base que não estivesse tão sujeita a cair com o mau tempo.

            Não é necessário que seja dada uma resposta imediata a cada uma das situações acima descritas, mas é desejável que as mesmas sejam alvo de análise e tratamento pela Junta de Freguesia.
           
O grupo onde parte das situações colocadas foram primeiramente abordadas e debatidas tem como endereço:
           
Uma cópia desta intervenção será facultada ao Executivo da Junta e a cada grupo partidário eleito para a Assembleia de Freguesia, para colocação da mesma em acta, caso necessário.

Vila Seca, 21 de Dezembro de 2013

Tiago Avelino Mendes Acúrcio

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O outro 23 de Novembro de 1963

 Há 50 anos, no mesmo dia em que morria Kennedy, morriam Aldous Huxley e C.S. Lewis. Um escreveu "Admirável Mundo Novo"; o outro, "As Crónicas de Nárnia". Ambos procuraram uma verdade por caminhos alternativos.



Em 1957, antes de se tornar no mais carismático presidente da história dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy foi escritor. E teve êxito: ganhou o Prémio Pulitzer com “Profiles in Courage. Mas apenas seis anos depois – há precisamente meio século – o presidente escritor morreu assassinado. A sombra do magnicidio fez com que a maioria esquecesse que nesse 22 de novembro de 1963 faleceram Aldous Huxley e Clive Staples Lewis, dois autores verdadeiramente trascendentes no mapa da literatura contemporánea.

Os seus obituários, mais pequenos que o do presidente, tardaram em sair. O primeiro, morreu na Califórnia; o segundo, em Oxford. Os dois perderam as suas mães, quando eram crianças e os dois tinham uma literatura potente e carregada de alegorias, filosofia e perguntas que parecem respostas.

Um era cristão e o outro não. Os dois eram britânicos, ainda que C.S. Lewis tenha crescido em Belfast. As experiências traumáticas também os aparentam. Pouco antes de Lewis ter participado na Primeira Guerra Mundial e carregou essa vivência para o resto da sua vida, Huxley lutou contra uma cegueira que o manteve às escuras durante quase dois anos. Em 1942, escreveria a esse respeito “A Arte de Ver”. Os caminhos de um e doutro continuaram a cruzar-se sempre. Os dois casaram-se com estrangeiras.

A enumeração dos factos não é caprichosa. As vidas de ambos refletem-se nas suas obras e, por momentos, são indivisíveis.

Quando Lewis tinha 32 anos, o seu amigo J.R.Tolkien – autor de “O Senhor dos Aneis” – convenceu-o a voltar para o cristianismo, mas não conseguiu arrastá-lo para o catolicismo; decepcionado, viu Lewis tornar-se anglicano. A sua obra mais conhecida são os sete tomos que compõem “As Crónicas de Nárnia”: uma apología cristã. Lewis acreditava que a sua obra não sobreviveria, mas nunca se tornou tão famosa como nos últimos anos, depois da sua adaptação cinematográfica. O mesmo acontece com “A Trilogía Cósmica”. Foi ensaísta, escreveu as suas memórias e foi locutor. Mas nem sempre o recordam bem. Philip Pullman, autor de “A Matéria Obscura”, apelidou os seus livros de “reacionários” e “propaganda cristã”, “descaradamente racista”. Apologista cristão, seguramente, mas nem por isso descobriram uma placa em sua honra na Abadia de Westminster.

Para falar da vida e obra de Aldous Huxley, basta falar da sua morte, que a sua última esposa – Laura Archero – detalhou numa carta ao irmão do seu esposo, Julian Huxley. “A expressão do seu rosto começava a olhar como fez cada vez que praticava a medicina moksha, quando essa imensa expressão de completa felicidade e o amor o invadia. Dejixei que passasse meia hora e logo decidi dar-lhe outros 100 mg”, relata. Huxley decidiu viver essas horas numa viagem de LSD, enquanto a sua mulher recitava “O Livro Tibetano dos Mortos”.

Um certo misticismo oriental e a experimentação sensorial – que já tinha provado na sua cegueira precoce – aparecem em boa parte da sua obra. Durante as suas viagens de mescalina prévias às de LSD escreveu “As Portas da Perceção”. Muito anterior é o seu livro mais famoso – posterior a “Contraponto – Admirável Mundo Novo”, uma distopia futurista sobre o controle social. Continuou as suas viagens pela América Central e mais tarde pelo Médio Oriente. Visitou Buenos Aires e hospedou-se na casa de Victoria Ocampo. Já se tinha mudado permanentemente para os Estados Unidos,donde cultivou o seu misticismo e amizades com celebridades, tais como Charles Chaplin ou Walt Disney. Menos conhecido é “A Ilha”, a contraface de “Admirável Mundo Novo”. Em “A Ilha”, os nativos abandonam a medicina Moksha para se iluminarem. “O que sucedeu é importante, não só para os seus ente queridos como para a continuação do seu trabalho, pelo que tem import:ância para as pessoas”, escreve a sua viúva no começo dessa famosa carta.

Huxley e Lewis não eram amigos, como muitos pensam. Nem sequer há demasiados registos de que se tenham lido ou convivido. Parecem-se, sem dúvida. Os dois procuravam uma verdade sem o tom professoral de Herman Hesse. Um autor mais oportunista, Peter Kreft, imaginou um encontro entre eles e Kennedy, no Purgatório, na sua novela “Entre o Céu e o Inferno”. Quem sabe?!
 


*Guido Carelli Lynch é jornalista. Publicado em: http://www.revistaenie.clarin.com

Tradução: António José André