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quarta-feira, 21 de março de 2012

Reitor e nova administradora dos SASUC são capatazes da Troika na UC

Foi com surpresa que a comunidade académica recebeu ontem (19) a notícia do fim de funções de Jorge Gouveia Monteiro. O até então administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC) deixa o lugar com “mágoa” mas confessa-se “aliviado” em nota publicada no facebook. Em entrevista exclusiva à Rádio Universidade de Coimbra, Gouveia Monteiro deixa claro que gostava de continuar ao serviço da acção social de Coimbra mas a decisão final coube à Reitoria da UC.
João Gabriel Silva afirma que os SASUC estão em fase de reestruturação e que foi necessário encontrar um perfil diferente para liderar os Serviços de Acção Social. O Reitor da Universidade de Coimbra confessa, ainda, que é necessário repensar a oferta dos Serviços de Acção Social indirecta. Assim sendo, João Gabriel Silva avança com, pelo menos, o encerrarmento de uma cantina.
À cabeça dos SASUC surge agora Regina Bento. Jurista de formação e gestora de profissão, a nova líder da acção social da UC centra todas as preocupações nas restrições orçamentais. Regina Bento agarra-se aos números para avançar com o encerramento de alguns serviços sociais.
Os SASUC têm estado sob críticas dos estudantes pelo encerramento das cantinas ao fim de semana que, segundo João Gabriel Silva, estará resolvido em breve. Também a Lavandaria encerrou recentemente por causa de problemas estruturais.
Para o presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra, o importante é que o novo administrador defenda os interesses dos estudantes.
A partir de hoje, Regina Bento toma o lugar de Jorge Gouveia Monteiro nos SASUC e considera que é preciso imprimir sensibilidade social porque a educação ainda é um investimento. Gouveia Monteiro sai do cargo que ocupa desde Janeiro de 2010.

Jorge Gouveia Monteiro surpreendeu a comunidade académica com o anúncio da sua saída dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC). O ainda administrador dos SASUC afirmou hoje (20), em exclusivo à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), que saiu por vontade da Reitoria da Universidade de Coimbra. Hoje, ao meio dia, Regina Bento toma posse como nova administradora dos Serviços de Acção Social na Sala do Senado da Reitoria.
Nelson Fraga

domingo, 18 de março de 2012

Bolsas por um canudo


As novas regras de atribuição de Apoio Social Escolar causaram uma drástica redução do número de bolseiros, nas universidades. Há estudantes sem dinheiro para comer.
Por Sara Rodrigues

Menos bolsas de estudo, mais alunos em dificuldades. A equação tem ganho dimensão, na universidades nacionais, nos últimos meses.
As alterações ao regulamento para atribuição de bolsas aos estudantes do Ensino Superior - publicadas a 23 de setembro - aniquilaram os sonhos de milhares de jovens. Este ano, dos 96767 alunos que se candidataram, 48% foram recusados. Um número acima daquele que se verificou no ano passado, com 46% de preponentes rejeitados, mas que pode subir, dado que ainda falta analisar 10 mil processos. Em apenas dois anos, o número de bolseiros diminuiu 30 mil (ver caixa). 
«E se estas regras se mantiverem, o total de bolsas concedidas continuará a cair», afirma, de forma taxativa, Luísa Cerdeira, pró-reitora da Universidade de Lisboa.
De acordo com esses novos critérios, os candidatos cujo agregado familiar tenha um rendimento per capita superior a €6800/anos são rejeitados, assim como os alunos que tiverem algum membro da família com dívidas à Segurança Social ou às finanças. Na Universidade do Porto, segundo o presidente da Associação Académica, Luís Rebelo, «2 mil estudantes viram a bolsa recusada por causa de dívidas familiares».
Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda - partido que requereu, em fevereiro, a presença do secretário de Estado do Ensino Superior no Parlamento para o inquirir sobre a matéria -, diz que este pressuposto «é grave», já que « a ação social é um direito do estudante». Embora reconheça que as bolsas são pedidas com base nos rendimentos, invoca «a a complicada situação financeira do País».

Mães desesperadas
Outro dos problemas é a burocratização do processo de candidatura. Na Universidade Nova de Lisboa, de acordo com os números da Associação Académica, cerca de 35% dos candidatos viram a sua pretensão indeferida por causa do preenchimento irregular dos questionários ou falta de documentação. Pedro Coelho, presidente da associação e bolseiro, conta que teve de «entregar papéis em três fases distintas».
Pedro Delgado Alves, deputado e líder da JS, considera que «há um recuo» no novo regulamento, pois antes, os estudantes contemplados com bolsa,«apenas tinham de atualizar anualmente os dados do agregado familiar, enquanto agora têm de candidatar-se todos os anos.
Os alunos queixam-se de que a nova lei não acompanha a realidade social. Em tempo de crise económica, ficar sem bolsa ou com o seu montante diminuído pode ser trágico para muitos. «O risco de abandono escolar é muito superior, nestas condições», afirma Ana Drago, que questionou o Governo sobre o número de alunos a receber o valor mínimo da bolsa (o equivalente à propina anual, que, este ano letivo, é de 999 euros). O Executivo não respondeu, embora o secretário de Estado do Ensino Superior tenha dito, no Parlamento, que o apoio médio é de €1805 para o ensino público (pagos em dez meses), assinalando o acréscimo de €92 face ao ano anterior.
Tanto o secretário de Estado como o diretor-geral do Esnsino Superior não se mostrarm disponíveis para responder às perguntas da VISÃO.
O certo é que os pedidos de ajuda financeira têm aumentado, nos últimos meses. «Já recebi telefonemas de mães de alunos. Isto nunca tinha acontecido, verifica Filipe Pacheco, da Associação Académica do Instituto Superior Técnico. Nesta faculdade foi criado o Fundo de Emergência Social para acorrer a alunos que, por exemplo, deixaram de receber a bolsa e não têm dinheiro, sequer, para a alimentação ou transportes. «Mas isto não pode de maneira nenhuma substituir-se ao Apoio Social Escolar estatal, avisa.

Ainda à espera de bolsa
Na Universidade de Lisboa (UL), a situação não é diferente. O número de bolseiros diminuiu de 3398, em 2009, para os atuais 1958 (candidataram-se 5 mil). E, à semelhança das restantes universidades do País, na UL ainda há 286 alunos que estão à espera - em março - de resposta da Direção-Geral do Ensino Superior para saberem se vão receber bolsa.
Confrontada com situações crescentes de fome e pobreza silenciosa, a UL criou o programa Consciência Social, em 2009. Este ano letivo, em apenas cinco meses, o mesmo número de alunos a receber o auxílio já é igual ao de todo o ano passado, cerca de 110.
Os estudantes «vêm ter connosco porque perderam a bolsa ou porque os pais deixaram de ter condições financeiras. Além das senhas de refeição e do passe para transportes, a UL encontrou nas Bolsas de Mérito Social que criou uma maneira de pagar pequenas remunerações por trabalhos ocasionais. Ajudar na cantina, na biblioteca ou na preparação de congressos vale uma ajuda financeira. «Não vamos resolver o problema, mas não queremos que os alunos desistam de estudar, diz Luís Cerdeira. Este, acredita, é o cerne da questão. 

Um caso 'Talvez tenha de desistir'
Gil Gaspar, 21 anos, estudantes de Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, já não consegue fazer mais contas. Se a Caixa Geral de Depósitos não lhe conceder o Crédito à Formação, de €7500, que solicitou, terá de desistir do curso.  O pedido já foi recusado por outros dois bancos e esta é a sua última esperança. Durante dois anos, recebeu a bolsa de estudo mínima - €98 mensais para as propinas -, mas este ano foi-lhe cortada. Motivo: os rendimentos do agregado familiar, embora sejam os mesmos do ano passado - o pai ganha o ordenado mínimo e o ordenado da mãe, de cerca de €1500 líquidos, será reduzido em €600 devido aos cortes  efetuados pela empresa one trabalha. Por outro lado, o irmão de Gil, de 8 anos, tem vários problemas de saúde que consomem €500/mês do orçamento familiar. 

As contas mensais do estudante resumem-se ao essencial: €180 para o aluguer da casa que divide com dois colegas - é de Sobral de Monte Agraço (junto a Mafra), mas ir e voltar todos os dias é mais caro do que a renda - e €150 (que os avós lhe dão) para tudo o resto. Não frequenta cafés; não gasta dinheiro em sebentas, apenas tira as fotocópias que considera essenciais; se vai ao Bairro Alto para conversar, na rua, com os amigos, volta a pé para casa, nas Olaias; não come na cantina da faculdade - «€2,40 não parece muito, mas dá para comprar 1kg de arroz e bifanas para mais do que uma vez»; não compra roupa há dois anos; a internet de casa já foi cortada, porque os dois colegas também ficaram sem bolsa. «Não é justo pedir mais aos meus avós, o dinheiro quase não chega para eles», lamenta. Os pais, diz, «envergonham-se de não conseguir pagar os estudos do filho». E Gil? Gil guarda «sentimentos de culpa» por ver «a família a passar dificuldades para ele poder frequentar a faculdade».

in Visão

Coordenadora Nacional de Jovens Estudantes do BE repudia mais aumentos de propinas


Aumentar as propinas não se vai traduzir em menos estudantes com dificuldades nas Universidades; apenas vai acelerar o processo de expulsão deliberada de mais estudantes do Ensino Superior Público!

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) aprovou ontem, ao final da tarde, uma recomendação para que as instituições procedam a um aumento de cerca de 30 euros no valor da propina máxima no próximo ano letivo para poder financiar um fundo de apoio aos estudantes em dificuldades financeiras.
A recomendação surge na mesma altura em que a propina máxima aplicada ao Ensino Superior Público sofre uma atualização, à taxa média de inflação de 3,7%, no valor de 1.036, 60 euros.
O maior aumento da década das propinas no Ensino Superior Público poderá estar agora comprometido com mais 30 euros elevando o valor final a pagar para os 1.066,60 euros.
A Coordenadora Nacional de Jovens Estudantes do Bloco de Esquerda, repudia o anúncio por parte do governo do aumento das propinas com a mesma força que o faz em relação à posição pública do Conselho de Reitores que sugere outro aumento das propinas para, supostamente,  financiar um fundo de apoio aos estudantes. Aumentar as propinas para esse suposto fim não se vai traduzir em menos estudantes com dificuldades nas Universidades; apenas vai acelerar o processo de expulsão deliberada de mais estudantes do Ensino Superior Público!

De que lado estão os Reitores?

A Coordenadora Nacional de Jovens Estudantes do Bloco de Esquerda, repudia o anúncio por parte do governo do aumento das propinas com a mesma força que o faz em relação à posição pública do Conselho de Reitores que sugere outro aumento das propinas para, 
supostamente,  financiar um fundo de apoio aos estudantes. Aumentar as propinas para 
esse suposto fim não se vai traduzir em menos estudantes com dificuldades nas U
niversidades; apenas vai acelerar o processo de expulsão deliberada de mais estudantes do Ensino Superior Público!



O aumento das propinas e o desinvestimento na ação social caminham lado-a-lado e não 
são uma coincidência: são escolhas políticas neoliberais para o Ensino Superior público.





Entre 1995 e 2005 já foram expulsos 1/3 dos estudantes mais pobres por causa do aumento das propinas e os cortes nas bolsas de ação social retiraram a bolsa a mais de 30 
mil estudantes nos últimos 2 anos. Este ano mais de 6 mil estudantes já cancelaram 
matrículas no Ensino Superior. A universidade pública está refém das lógicas contabilísticas e de cinzentas ilusões sobre o autofinanciamento por via das propinas e do 
mecenato empresarial com graves resultados no carácter público, democrático e universal 
da mesma.








Usar-se as propinas como fator de ajustamento orçamental interno das instituições é perigoso para a Universidade Pública. O argumento de que é preciso aumentar propinas 
para financiar os estudantes, mais não passa de pura demagogia e hipocrisia de quem não 
assume que o verdadeiro e real problema das instituições é subfinanciamento pelo corte 
das verbas nos  Orçamentos de  Estado. Mais propinas só criam mais desigualdade.














O problema das instituições, e o que deveria preocupar os Reitores, é a falta de meios públicos para gestão das instituições,  de modo a evitarem propinas de 1000€ nas licenciaturas e propinas que podem chegar aos 37 mil euros nos mestrados, que impedir 
despedimentos ou contratos de docentes a 20% do horário e para se evitar a sobrelotação das aulas.






O Conselho de Reitores de 2012 devia aprender com o Conselho de Reitores de 2009, que 
não exigia aumentos de propinas mas exigia mais 100 milhões de euros para colmatar o 
subfinanciamento das instituições proposto pelo ex-ministro Mariano Gago.









O Conselho de Reitores tem de esclarecer de que lado está. Se está do lado dos estudantes 
que querem estudar e estão a ser empurrados para fora das Universidades Públicas, ou se 
estão no lado do Governo que quer asfixiar o Ensino Superior Público em Portugal.